Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

...

Vontade de sair voando!
Dai-me paciência.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

A janela do prédio vizinho está com a luz acesa. Minha área de serviço fica de frente para essa janela. Quase sempre a TV desse vizinho está ligada. No vidro, muitos adesivos dos anos 90. As cortinas ainda são as mesmas de dez anos atrás. Quando eu era criança, olhava aquela mesma janela. Sempre tive curiosidade em saber quem morava lá. Eu nunca soube. Lembro que eu subia num banco, ficava na ponta dos pés para enxergar a janela do vizinho. Minha mãe pendurava roupas no varal, enquanto eu contava as estrelas.
Hoje à noite, enquanto pendurava minha toalha no varal, olhei pela janela. Nostalgia, lembranças de infância. Janela - sonhos - estrelas: eram apenas essas coisas que despertavam meu sono antes de dormir. Quem dera ainda fosse assim hoje. Quem dera ter mais tempo de contar as estrelas.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

f l u x o . - - .

É só um susto, um descompasso
Uma brisa que sacode os cabelos
Uma pequena chuva
Que fortalece seu gramado
Logo, aquele reconforto

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009



"Despencar do penhasco" - é para mim o tipo de pré-sono mais comum. Não é bem um sonho, é quase um susto. A perna balança com um tremilique. Aí, acordamos momentaneamente, para então embarcarmos em algum sonho. É tudo rápido demais. A gente engata um sonho atrás do outro e nem percebe.

Daí, a gente amanhece e "back to reality"... A "realidade" - aquela que nos faz levantar todo dia procurando resposta para alguma coisa. Corremos como loucos aflitos. Temos pressa de tudo! Andamos rápido, almoçamos rápido, telefonamos rápido! E esquecemos o "tempo de respiro", o abraço demorado, o sono longo do sábado de manhã, as coisas simples...



Meu quarto, tem uma pequena "montanha" de cartões postais "Mica". Coleciono eles há anos. Às vezes, sento no chão e vejo todos os postais. Muitas vezes, nem reparo no que está sendo anunciado no postal, mas atento em lembrar em qual ocasião eu peguei o cartão. Para mim, esses postais são uma espécie de memória, uma pilha de recordações do que vivi.

Fotos "caseironas" por D. Harada.

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

!

"É claro que você sabe do que estou falando." (esse é o nome de um livro de Miranda July)

Recomendo. Li ano passado, trata-se de uma seleção de contos. Para quem gosta de histórias pouco convencionais. Para quem assistiu "Eu, você e todos nós."







Desenhos: Meus - D. Harada.

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Ser inquieta é uma coisaaa...
Arranja coisa nova para fazer, por favor?
Quero desenhar, quero rabiscar!
Quero sujar parede.
Me tira dessa mesma correria, please... Dessa pressa do "trabalho".
Dessa coisa "pra ontem".
Aaaaa

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Lispector

"Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais. Então eu não digo nada, aparentemente submissa. Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã. Domingo de manhã também é a rosa da semana. Não é propriamente rosa que eu quero dizer."

Clarice Lispector

"Não posso escrever enquanto estou ansiosa ou espero soluções porque em tais períodos faço tudo para que as horas passem; e escrever é prolongar o tempo, é dividí-lo em partículas de segundos, dando a cada uma delas uma vida insubstituível."

Clarice Lispector

Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Para respirar


E ter um pouco de sossego.

Foto: Minha (D. Harada).

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

Vale uma reza!

Ficamos tão cegos com os fatos do dia-a-dia, que acabamos esquecendo de fazer uma coisa muito simples: agradecer tudo o que acontece em nossas vidas. Tudo mesmo, o doce e o amargo. Isso é vida.

Uma boa noite de sono.


Por que prorrogamos coisas tão simples?

Por exemplo: era tão simples sair do banho relaxada, com uma sensação enorme de "quero cama" e simplesmente ir para cama! Cama, merecida depois de muitas horas de trabalho. Cama necessária para deixar meus sonhos vagarem sem pressa. Mas de repente, esse sentimento todo se desfaz num clique quando sentamos na frente do computador. Por que será que a gente é assim?

Todo aquele plano de tentar dormir um pouco mais cedo vai por água abaixo... É mais ou menos isso: a gente sabe que precisa descansar, desligar um pouco o corpo, a mente... tirar o dedo da tomada mesmo! Tipo, acabou a bateria... Mas insiste em fazer alguma coisa! Acontece que é bem nessas horas de cansaço, que acabamos procurando coisas para tirar nosso sono. Vc senta no computador, só para checar emails, pagar contas e quando percebe já é tarde... e o pior, perdeu um tempo precioso com bobeiras da internet.

Vale a pena perder suas horinhas de sono assim?

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Sem disperçar o foco,
Com muita fé,
E paciência.

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

O que vale a pena.


Olho por um ângulo bem estreito e agudo. Aquele ângulo que nos torna minúsculos pontinhos pretos quando vistos de longe.

É uma espécie de concentração. O exercício dos pontinhos pretos. Fecho os olhos e imagino tudo pequeno. De uma pequenez que beira o fútil. Algumas coisas são assim - pequenas e fúteis. Mas para elas existe o limbo. É como apertar o botão de descarga - e ver aquilo que não nos faz bem, mergulhando e indo embora. Pessoas e atitudes pequenas - DESCARGA nelas.

É uma espécie de filtro. Fica apenas o que vale a pena. E o que vale a pena é um par de sapatos cansados no fim de um dia bom. Sempre.

Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

E quando se escolhe muita coisa para escrever, é melhor não escrever nada!

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Música





Uma boa música, ainda mais quando é Coltrane e Miles.

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Ruas



Esse estava nas ruas... e pode ser vizualizado em: http://dharada.blogspot.com

Aqui, coloquei só uma parte do desenho.

Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Cor





fotos: Ruy Fraga

É completamente compreensível meu gosto por imagens. Quiça porque imagens dizem. Dizem através dos nossos olhos, e dizer desse jeito, significa calar os ouvidos – leia: apaixonar-se.

A primeira vez que fui fotografada num estúdio sem luz, senti como se eu apalpasse o escuro. Não havia lâmpadas. Apenas uma lanterna acanhada que disparava fachos de luz aleatórios.
O barulho de disparo da câmera, único corte no silêncio, parecia revelar alguns dos meus sentimentos mais escondidos. O bom do escuro é que oculta um pouco da timidez, por exemplo, as feições tornam-se esfumaçadas. E tirando o fato dos meus lábios tremerem um pouco quando fico tímida, de resto disfarço bem, porque não costumo ficar corada, embora minha pele seja um pouco clara. Até porque sem luz, esses detalhes passam batidos. Apenas na hora que vemos a foto, é que alguns segredos são denunciados.

O mesmo acontece com meus desenhos ou projetos de design. Quando concebo os layouts, muitas vezes a idéia inicial se transforma em algo imprevisível. E isso, instiga. Há um intervalo de expectativa pelo resultado final. As expectativas aumentam de acordo com as possibilidades. Como tantas coisas na vida.

Talvez por isso, pessoas que lidam com imagens em geral, consigam ver a vida em diferentes tons. Uns dias saturados, outros p&b. Os sonhos devem ser azul claro, porque sonho é tão algodão doce. E os sentimentos são vermelho e rosa. E essas cores destacam-se até mesmo no escuro.

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Semana bacana.


Money Mark.
foto: http://www.ica.org.uk/Money%20Mark%20%2B%20Special%20Guests+13303.twl


Duchamp.
foto: http://www.overmundo.com.br/agenda/mam-comemora-60-anos-com-exposicao-de-duchamp-por-que-duchamp

Semana bacana: Money Mark e banda (quinta-feira) - Descansando no campo (final de semana) - Duchamp (domingo).

Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Respire fundo.

Melhor receita para tirar olho gordo:
Tapar os ouvidos.

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Wendy

Assisti esse filme há quase dois anos.
Quem assistiu esse filme, não esquece o trecho de Wendy andando pelas ruas. E agora sim, a cena da simpática moça. Eu gosto.

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Silêncio

Um dos passos para ser feliz é não expor o que a gente gosta.

Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

... ...
só uma boa música mesmo.

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Uma das nossas


Essa foi nossa exposição (minha e do Ruy) no começo do ano lá no Lady Hell.
A exposição foi legal, então vale a pena colocar aqui!

Andei pensando:
- Por que os papéizinhos de visa parecem brotar na minha carteira?
- Por que tem gente que adora escancarar a vida sem ninguém perguntar...?
- Por que, haja paciência, as mulheres são tão competitivas...?
- Por que tem gente que adora viver de passado emocional (vulgo relacionamentos encaixotados)? Por favor, viva o AGORA, é muito mais interessante.
- E sempre tem aquela pessoa que diz: "eu avisei..." no momento que você está mais puta da vida.

Entre outras coisas mais que emputecem nosso dia-a-dia, mas depois fica tudo bem!

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

O foco agora é desenho

É gostoso escrever - um exercício. É uma válvula de escape sim, é uma forma de expressar coisas que jamais seriam ditas se não fossem escritas... por isso esse blog. É apenas um passa-tempo mesmo.
Apesar disso, o foco agora são os desenhos. Retomar algo que sempre gostei de fazer, mas que por falta de tempo, estacionou. Acontece que o dia cheio... torna a coisa atribulada. O importante é focar naquilo que gostamos.
Não é dramatizar, mas achar tempo para fazer algo que se gosta envolve uma série de coisas: sair cedo do trabalho, conciliar lazeres e cobranças. Não só isso, há horas que simplesmente nos ocupamos com coisas à toa. Há dias que me sinto testada por tanta coisa. Parece que as pessoas vivem nos experimentando com pequenas doses de comparação.
O lance é saber quem somos e desencanar do que os outros são. As pessoas tem o costume de valorizar sofrimentos e dores o tempo todo, viver de poeira. Sei lá, passado existe para todo mundo, eu também já chorei... Hoje rio e choro por outras coisas, não existe comparação. Cada um sabe onde o calo aperta e não precisa gritar para os quatro cantos do mundo. Não existe história melhor ou pior, tudo são histórias. Então... o negócio é deixar o casulo e fazer história.

Em breve, desenhos: http://dharada.blogspot.com

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Controlar as expectativas é um aprendizado, pois por mais corajosos que tentemos ser ou por mais foco que busquemos, às vezes a estrutura dá uma balançada. O importante é entender que se não sustentarmos a estrutura, num primeiro temporal, a casa cai. Então, aos poucos, a gente ajeita as pequenas ranhuras da nossa superfície, veda as goteiras e rega o jardim. E assim vai, é um círculo. Ao invés de lutar contra as tempestades, prefiro fazer parte delas e entender que a água rega meu quintal.
E mesmo que algumas paredes desabem, outras se levantam muito mais firmes.

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Walking




Fotos: D. Harada.

As pequenas diferenças.

Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Sugar sugar


Começar o dia ouvindo Doreen Shaffer, só assim mesmo!

Quarta-feira, 26 de Março de 2008

Rema aí.

Penso que a vida é uma caixa de surpresas. Não importa a situação - boa ou ruim - 50% de chance de ser ou não do nosso agrado. É uma espécie de moeda da sorte lançada constantemente sem previsão. Pequenos testes de resistência e ânimo, são suspiros de alegria e desespero. A roleta gira, o ponteiro pára e a vida continua. A roleta roda em ritmos variados com resultados inesperados. É o cassino da vida – apostas no incerto - jogatina constante.

Remando num azul, sem saber o porto certo de desembarque, ou parando em vários portos. Colecionando erros, reconhecendo os mesmos e viajando com esta bagagem. Tudo isso na certeza de que o sol vai brilhar amanhã.

Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Calma e bela.




Fotos: D. Harada.

A vida seria mais fácil se tivesse mais cor.

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Bic da infância


Esse desenho ainda não está acabado, depois eu termino.
Desenho meu - D. Harada - feito com bic.


A janela do meu quarto tem um adesivo que meu irmão deu quando eu tinha uns nove anos de idade. Não tenho certeza, mas acho que meu pai comprou dois adesivos pro meu irmão, e um deles acabou ficando para mim. Curioso é que é um adesivo de time e, justamente eu, não torço para time algum. Mas o colante está lá no canto da janela, é uma lembrança da nossa infância, da época que viajávamos com nossos pais. Quando éramos simplesmente crianças, e cúmplices, ríamos de qualquer bobagem juvenil. Tudo isso me faz lembrar os passeios de bicicleta e a jogatina de ping-pong na sala de casa. Jogávamos sem mesa de ping-pong, apenas batendo a bolinha de um lado pro outro no chão mesmo. Entre outras coisas, lembro quando meu irmão montou uma cesta de basquete caseira. Era um aro de plástico que ficava pendurado no armário do seu quarto, mas que nos rendeu longas tardes de diversão.
Naquela época tudo era simples e precisávamos de pouca coisa para sorrir. Também lembro dos livros infantis que minha mãe trazia e do cheiro de torrada com manteiga nos fins de tarde. O tempo passou, e eu ainda sinto o cheiro das torradas. Quanto ao adesivo, ficará por lá e espero que não descole.

Terça-feira, 11 de Março de 2008

Algodão doce escuro


Aperta essa nuvem!

Foto minha.

Terça-feira, 4 de Março de 2008

+

Me surpreende o tempo. Tudo que vai somando. Até o que a gente não gosta é soma... a gente aprende a lidar. A gente soma e coloca numa caixinha de sugestões, obrigada. A gente acostuma, vê com outros olhos e vê como são pequenas as provocações dessa vida. As coisas que a gente já chorou e hoje ri! É tão melhor rir. Tão azul, céu.

Segunda-feira, 3 de Março de 2008



Desenho meu de começo de 2006.
Desenho: D. Harada.

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008


Tem coisas nessa vida que são uma espécie de trampolim. Primeiro, subimos as escadas de olhos bem abertos, observando a altura que podemos alcançar e pensando se, realmente, quando chegarmos lá em cima teremos coragem de pular, escorregar ou qualquer coisa assim. Aí a gente fica um tempo estática, imaginando como vai ser a chegada lá embaixo. Será que pulo de barriga para baixo? Ou desajeitada? Imaginamos a queda. Mas é tudo tão rápido que não dá nem tempo de imaginar muita coisa. Chuaaa...! Quando abrimos os olhos, já estamos embaixo d’água, segurando a respiração. Então subimos suave de volta à superfície da água. Pronto, passou. O rosto fica gelado, e a única sensação que resta é do vento soprando na pele em cima daqueles caminhos de água que vão escorrendo de leve por cima do nosso corpo. Aí a gente começa de novo, sobe as escadas e escolhe se pula do trampolim ou desce de tobogã. Mas o importante mesmo é o impulso que a gente vai dar.

Ouve aí, Ev'ry time we say goodbye.
Cd: John Coltrane.

Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Belo cd.


Bom de ouvir.
Imagem: Capa do cd - Duke Ellington

Quando ele tocou os lábios dela pela primeira vez, sentiu um frio na barriga. Eram lábios doces com uma textura que jamais sairia de sua cabeça. Naquela noite dormiu feliz como há tempos não acontecia. Amou-a naquele momento.
Os comentários ficam desabilitados temporariamente. Obrigada a todos que participam desse humilde blog. Bjs!

Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

Lambes


O curioso de colar lambes é isso, nunca sabemos quanto tempo vai durar. Quem é a pessoa que descola o primeiro pedaço?
Eles ficam lá por um tempo... Depois vão sumindo, sumindo. E pronto. É como se nada tivesse existido. Enquanto isso a arte vai rodando a cidade!

Essa foto é do começo do ano passado, tem um lambe meu e outro do ruy.
Lambes: D. Harada e Ruy Fraga
Foto: Ruy Fraga

Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Pós retiro...

- Sabe aqueles dias que você faz tudo na paz? Então, estou assim hoje: acordei, tomei o ônibus... Ainda estava escuro, e sei lá porque olhar a rua escura me deu um certo sossego. Acho que é porque eu ainda estava com sono. Daí o corpo fica meio mole. Bem na verdade, decidi não me irritar hoje, levar tudo na boa, porque sempre que faço isso, o dia passa mais rápido...
- Você quer que o dia passe rápido? Eu rezo para as horas passarem devagar, queria que meu dia tivesse pelo menos 48 horas para resolver tudo o que preciso.
- Ah é que depois de uns dias descansando, dou uma desacelarada... prefiro que meu dia tenha só as horas que tem mesmo.
- Sei como é, mas é que nos últimos tempos, parece que não tenho tempo pra fazer nada. Quando me perguntam o que eu tenho feito, eu respondo: "nada, só tenho tempo de trabalhar". E o pior é que é verdade mesmo.
- Sei bem, estou nessa fase também. Mas a real é que se não desacelerar um pouco, daqui a pouco dá pirepaque na cabeça!
- Sabe quando você volta para casa e o corpo ainda tá agitado?
- Pois é, precisa de muito yoga mesmo!
- De yoga, álcool e cama...
- Mas vê que beleza, sexta-feira já tá aí. É um pulo.
- Um pulo para me acabar, porque quando chega na sexta-feira, eu não quero sossego. Quero andar pra lá e pra cá meu final de semana todo.
- É assim mesmo. E depois começa tudo de novo. A segunda, a terça e por aí vai...
- É não tem jeito, a gente tá na idade de lutar contra o tempo... ou a favor, sei lá...
- Mas sabe o que é engraçado? Com o tempo, tem um monte de coisa que não é mais interessante.
- Quais coisas?
- Aguentar um monte de papo-furado, contação de papo. Perder tempo com coisas bobas.
- É... isso é, hoje em dia a gente tem que ser mais prático, menos melodramático.
- Mais prático, isso é sim.
- Se bem que por conta da gente ser tão prático, ninguém mais aproveita realmente as coisas de verdade.
- Como assim?
- Sabe, aproveitar até esgotar? Sentir as coisas de verdade, sugar o máximo da vida, dar cara a tapa sem prazo.
- É isso é. Fazemos tudo calculado, cheios de dedos... e tem horas que é legal escancarar!
- Sim, o negócio é escancarar!
- Vai lá, cospe na cara. Faz careta!
- Isso aí... diz que gosta do fulano, que o amor é brega, mas é bonito.
- Canta umas trilhas sonoras breguinhas, e vive feliz!
- Sabe que meu dia já tá feliz.
- É eu tô sentindo a calma de quando acordei...
- Tá vendo, o amor é brega, acelera ateeé, mas também acalma.

Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Às vezes
pareço
a trilha sonora
de um filme
no momento ápice
no tom grave
gostoso de ouvir
a cena principal
que o espectador
assiste mais de uma vez
até decorar
a cena onde
as pequenas coisas
são realmente pequenas
e o tempo escasso demais
para desperdiçar.

Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008


Tudo é nuvem
Tudo é impreciso
Mas por trás disso tudo
Ainda tem um céu azul.

Foto muito bonita do Ruy.

Samba

Na verdade ela tinha um jeito vulgar mesmo. Gostava de roupas curtas, bem justinhas, que marcassem as cadeiras. Era a alegria da rua. E não sei porque tinha mania de descolorir os pêlos do braço... Tinha também uma tatuagem que subia a cintura e ia terminar perto do umbigo. Todo aquele cenário ilustrava o kit “gostosona”. Chamavam-na de Graça. Graça sempre foi a morena do samba, das rodinhas de boteco. A turma toda gritava seu nome por tudo que era canto. E até concurso de morena do bairro, ela já tinha ganho. “Graça, dá uma rebolada!” “Graça, vem pra festa que sem você não tem samba!”

Em 2000 Graça casou. Deixou o bairro e nunca mais pisou os pés no samba. O marido era ciumento, e andava metido com as leis. Não ficava bem pra Graça se jogar no samba. O marido não gostava, achava que Graça exagerava no rebolado, e que se fosse pra rebolar, que fosse só pra ele. Graça teve filhos, virou dona de casa. Perdeu as curvas. Vivia pra cuidar da casa e das crianças. Até arriscou um emprego, mas não deu muito certo. Sem muito rumo das coisas, continuou na vida do lar, dando ordem a rotina de casa.

Passados alguns anos, os filhos passavam o dia na escola estudando e fazendo atividades esportivas, enquanto Graça cuidava de casa. Numa tarde qualquer, dando ordem à bagunça do armário, Graça desenterrou suas roupas de carnaval e samba. Olhou as velhas saias, arriscou experimentá-las, mas infelizmente não passavam das coxas, agora maiores que em épocas passadas. Como era triste tudo aquilo, perder as formas, perder o rebolado e também as tardes que agora perdia enfurnada dentro de casa. O marido chegava mais de meia-noite todos os dias, os filhos passavam o dia ocupados, enquanto ela ficava jogada às tarefas do lar.

Foi assim que Graça se arriscou, numa tarde qualquer, a visitar seu antigo bairro, dar um oi para vizinhança e rever antigos botecos. Vestiu a roupa que mais exaltava suas curvas, colocou um salto alto e foi. Tão qual não foi sua surpresa quando chegando ao primeiro boteco logo gritaram seu nome. E tão depressa começaram a aparecer seus velhos amigos. E logo começou a cerveja, o samba e tudo mais.

Graça dançou até não poder mais, bebeu, riu e se divertiu como há tempos não fazia. Esqueceu de tudo, dos deveres de casa e decidiu que naquela tarde não voltava para casa tão cedo. A noite caiu e por lá ela ficou... queria sentir o corpo cansado de alegria.

Depois daquele dia, nunca mais se soube de Graça. Alguns dizem que ela nunca mais voltou pra casa. Outros dizem que o marido levou-a pra longe. Há quem diga que casou de novo. Não se sabe ao certo, apenas se tem a convicção de que nasceu para sambar.

Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

Hoje

Na primeira manhã que te vi
Minhas mãos tremeram
A voz saiu rouca
E os olhos entregaram tudo
O que o coração queria esconder

A primeira vez que te vi
Segurei minha respiração

Preferi guardar em mim
A sensação boa de
Te ver





Minha mão sua e treme
Minha voz não quer sair
...

Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

MAC

Então sabe o que é? A gente só queria achar uma vaga, estacionar o carro e ir na exposição de grafite no MAC. Só isso... não é tão difícil, vai? Mas como as pessoas adoram uma bonitação e todo os "ãos" cabíveis na pagação-de-pau do SPFW, levou-se mais de meia hora para achar uma vaga.

Mas no final valeu a pena, porque a exposição no MAC estava bacana. Tinha uns grafites gringos e nacionais bem legais. Vale a pena conferir! Ufa.

Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

2008


foto: pedacinho da foto do ruy;)

Um mar de carros. Pés ensopados na extensa poça d’água. Um dia de trabalho puxado. E o que me faltava era inundar sapatos e calças nas águas da chuva! Sem falar do ônibus lotado. Encontrei meu irmão dentro do ônibus - raro coincidir nossos horários, ainda mais no mesmo ônibus. O semáforo abriu e fechou mais de cinco vezes até o ônibus atravessar a avenida e chegar à nossa rua. Deu saudades das nossas conversas cúmplices de infância.
Descemos um ponto antes e fomos caminhando um quarteirão a pé embaixo de chuva.
Banho tomado. Pés aquecidos e agora me resta uma folha de papel e uma caneta. Escrever é bom, limpa a mente. A gente escreve o que gostaria de viver. A gente escreve o que gostaria de ouvir. A gente escreve pensando em alguém. Pra alguém. Escrevo que tenho vontade de ser desenhos coloridos na parede da sala. Você pode ser a luz que acende e apaga. Liguei para falar coisas bonitas. Mas guardei os elogios para depois. Eu só queria ter dito aquilo naquela hora. Só isso.

Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

2007


Foto minha: D. Harada

Dizer que foi ruim, seria injusto.
2007 trouxe boas surpresas.
Trabalho, família, amor, amigos. Tudo que todos precisam. Não necessariamente nessa ordem. E tem também quem diga que não precisa de nada disso.
Enfim, entre todos os bens e males que surgem nessas necessidades, posso dizer que dei uma sambada, perdi as estribeiras e rodopiei feito yo-yo.
Muitas coisas fogem do nosso controle, mais do que a gente espera. Mas é nessas horas que testamos até onde a corda aguenta.
Queria escrever um texto bacana. Dizer tudo o que sinto, mas no final das contas, percebi que isso só importa pra mim. Pensei em dizer pra menina de blusa listrada continuar abraçada ao menino de jaqueta azul. Em dizer que coisas bobas me comovem à toa. Que textos bem escritos me fazem chorar. Tem tanta coisa que eu queria dizer, mas de novo, isso não vai importar. A única coisa que eu posso dizer, é que mais tarde as luzes brilham não só no céu, mas nos olhos de quem crê.

Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Cata-vento


Foto do ruy.

Um colorido cata-vento
Gira leve na varanda

O vento é o seu amigo
A mão é seu apontador

Gira como um vinil
Calmo e em ritmo gostoso

Roda o filme da minha vida
Cata-vento colorido

Traz um sopro no ouvido
E uma rosa no olhar

Quando o vento bater forte
Para dentro vou te levar

Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

To you

Sono pesado dá nisso mesmo. Sono pesado deixa a gente mole. O bom mesmo é fazer um chá para acalmar. Chá preto lembra minha avó. Que lembra o Centro Cultural. E minha avó ficava olhando o Centro Cultural à noite pela janela. E o Centro Cultural, me lembra você. E você, me lembra uma foto sua "6x8" no fundo claro. Aquela que você está com reflexo nos olhos. Foi assim que a gente fez nosso primeiro trato. Lembra do nosso trato? Ah não! Acho que você não lembra. Puxa, como você não lembra?

Nossa cabeça faz essas pontes de associação doidas! Tem horas que eu escrevo assim compulsivamente. Perguntando compulsivamente. Sabe? Ah... você sabe sim!
E tem horas que eu escrevo texto pra você. É que quando eu escrevo pra você, eu não aviso. Eu prefiro que você perceba sozinho. Mas acho que você nem lê.
Dia desses, fiquei relendo os textos do meu blog. É engraçado, porque já fiz pequenas alterações nos meus textos, e aposto que ninguém percebeu. É porque ninguém decora ou presta atenção nisso. Eu já quase sumi com o blog.
Pode ser que você nem tenha lido esse texto todo, que tenha parado na metade... Mas se chegar até o fim, esse texto é pra você!

Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

É, tem dia que não rola de jeito nenhum.

Tem dia que
ver gente “cooool” falando merda
enche o saco
ver aquele monte de pose
enche o saco
ver um bando de gente igual
enche o saco.

Boa noite.
Bom final de semana.

Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Chuva que cola.

Não sei se era pena ou pluma. Mas se movimentava com o vento.
Fazia frio na avenida Paulista naquela quarta-feira, final de novembro, às 06:30h da manhã.
Lembro que ela balançava bonito. E imagino que estivesse presa ao poste por alguma cola, pois mesmo o vento forte que fazia, não era capaz de descolá-la.
Era gostosa a dança da pena-pluma. Fiquei minutos observando.
Eu me encolhia dentro do casaco, enquanto ela dançava suave presa ao poste, perto do chão.
A pena-pluma era uma aventureira, pois imagine quantos lugares já não havia estado? E quantos temporais não havia enfrentado?
Meu ônibus chegou. Ainda bem, porque tão logo começaria a chover.
Nessa mesma hora, a pena-pluma descolou e foi se prender num "matinho" que saia do asfalto.

A chuva começou e para a pena-pluma restavam duas escolhas:
Ficar abraçada ao matinho ou sair boiando no meio da chuvarada.

Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

acalma!

não vale coçar a cabeça,
nem contar até três,
e tão pouco,
batucar os dedos na mesa.

só vale uma coisa: calma!

pega a bic, garota,
desenha!
mostra que é artista.

arruma a bolsa e vai caminhar,
coleciona postais de gente,
gente sentada na calçada,
e aproveita pra sentar no chão de ninguém.

deixa a prosa de lado,
finge que não liga pra nenhum mal-falado,
desbanca esse boca-boca de gente louca,
de pose e de papo-furado.

sobe na sacada,
abraça o sol.

não precisa de nada,
só de uma gelada.

quando chegar no metrô,
vou lembrar de você,

por hora,
fico no caderninho da estação,

esperando a maré baixar,
para depois mergulhar
na correnteza dos corações calados.

Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

Planície distante.


Desenho meu - D. Harada - feito com bic.

Era uma planície caramelo.
Uma espécie de vilarejo afundado no meio do deserto.
As casas de lá tinham cortinas miúdas que balançavam com o vento seco. E nossa... eram muito pequeninas as casas! Tudo muito simples, porque aquela gente não precisava de luxo, ou qualquer ostentação.
As mulheres eram coradas de uma beleza delicada.
As crianças afundavam os pés na areia e depois chutavam forte, numa espécie de futebol de grãos.
O que mais chamava a atenção eram os girassóis rodopiando feito cata-ventos.
As roupas eram trapos coloridos em corte reto. Ninguém ligava muito para esse tipo de coisa.

O sol batia fraco. Suficiente para iluminar.
Como era bonita aquela gente!
E sei lá porque aquilo tudo dava uma vontade de chorar. De sair correndo e gritar. “Ei olha aqui! Eu quero ficar um tempo aí dentro da cidade-bolha respirando tranqüilidade! Deixa eu entrar!”
Mas ninguém ouvia. Continuavam ali na cidade calada levando a vida do jeito que tinha que ser.
Não era possível um lugar assim. Aquilo não existia!
Era tudo uma farsa.
Eu já ia começar a gritar de novo, quando de repente... bati meu pé. E o pior, doeu de verdade. Foi aí que eu acordei e vi que tudo era uma mentira deslavada.

Domingo, 7 de Outubro de 2007

Ela fugiu da prateleira dos romances passados


Foto minha.

A última vez que encontrei os dois juntos foi num boteco lá perto da Sé. Ele estava mais careca, gordinho e continuava usando o mesmo casaco surrado de vários anos. Já ela, era alta e de cabelos castanhos bem compridos.

A princípio, quando vi, não achei que combinassem muito. Olhando bem, não combinavam em nada “fisicamente falando”. Até porque eu conhecia as ex-namoradas dele, e todas tinham um padrão de beleza parecido. Mas essa garota era diferente, não tinha nada a ver com as outras do passado. E nem por isso, deixava de ser interessante. Muito pelo contrário, era bem bonita.

Sentei na mesa do bar junto a eles. Ele queria falar da vida, saber das minhas coisas. Normal, nós sempre fomos amigos. E aí ele começou a conversa:

- Fala de você...?
- Ah tá tudo na mesma, o mesmo trabalho, uns poucos novos amigos... E, no final do ano eu termino aquele curso. E você?
Ele respodeu:
- Está assim: ganhei um aumento, mudei de redação e foi lá que a conheci (aponta para a namorada). Posso te falar que não tenho do que reclamar.

Depois de umas horinhas de papo, a namorada levantou e foi ao banheiro. Aproveitei a brecha e perguntei:

- Ta feliz?
- Estou sim, e até sei porque tá me perguntando isso. Está estranhando meu namoro, né? Achando que ela não tem nada a ver comigo?
- Confesso que sim.
- Olha, tem coisas nessa vida que gente demora para entender. Perdi muito tempo vivendo de passado. Cometendo os mesmos erros, e talvez buscando as mesmas pessoas. Moldando amores numa fórmula de amor que eu já havia vivido. Isso não existe. Amores são diferentes. Pessoas são diferentes. Se eu, estupidamente, quisesse uma namorada com a mesma cara das outras que tive, eu buscava na minha biblioteca de romances fracassados uma cópia meia-boca só para passar o tempo. Buscava no arquivo morto, aquele mesmo protótipo de amor e forçava, inutilmente, ela se tornar igual às outras. Mas ela é diferente. E só sei que com ela eu to feliz. Acho até que vamos juntar os trapos no final do ano.

Ainda ficamos lá conversando mais alguns minutos.
Depois eu subi a rua pensando no meu amigo. Não sei o que aconteceu, se juntaram ou não. Só sei que era assim: ele ouvia Slayer, enquanto ela ouvia Jazz. Ele ia trabalhar de carro, enquanto ela ia de bicicleta. Ele era puro vinho tinto, enquanto ela era água com hortelã. Mas quer saber, no final das contas, eles combinavam pra caralho.

Terça-feira, 19 de Junho de 2007

A vontade é um meio-fio.


Foto minha.

Era porque tinha certo receio. Receio de começar e não acabar. Ficava no meio-fio, na corda bamba. Que sacode, joga o corpo pra um lado, mas no final tomba pro outro lado, só pra equilibrar.
Pensou que na vida só existiam pequenos rascunhos. Longe de ser um livro completo com começo, meio e fim. Desenhos pela metade. Filmes clichês de protagonistas solitários. Trombadas inesperadas. Esperança guardada.
Esse texto tem endereço certo?
É o que dizem.
Isso vira um vício - um vazio confortável.
Vontade de sentir forte. Ir fundo. Cavar excessos e erros. Embebedar-se sem culpa.
Nem ensaiar, apenas deixar. Querer com vontade.
Vontade, não se mede nem se compara. Apenas vem.
Aquela velha e boa vontade.

Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

Sentados na calçada de uma janelinha.

- Ai!
- Que foi?
- Cai!
- Onde?
- Não, não “cai” ao pé da letra, tomei um tombo na vidinha... bati a cabeça e doeu o coração.
- Ah... Eu também já tomei, 5 vezes.
- Caramba... Dói eternamente.
- Eu já passei dessa fase, resolvi que vou aceitar o que a vida apresenta.
- Sábia decisão...
- Calma aí, mas explica direito o que foi?
- O que foi o que?
- Conta desse seu tombo... como é isso?
- Ah... então, meu tombo foi esperar... não sei bem...
- Mas há quanto tempo você tá nessa?
- Faz oito meses, quase um parto...
- Oito meses dá pra saber o que quer. Sei lá, sou mais decidido. Se bem que tem gente que não é.
- Pois é...
- E ficar nessa neurose... trava o processo.
- É... então, ele... não quer...
- Não quer o quê?
- Estar comigo...
- Tipo assumir?
- É, isso aí.
- Mas o que é assumir pra você? Uma palavra apenas?
- Então, não sei... Eu achava que a gente vivia uma espécie de “relacionamento”, mas me senti meio infantil, que pensa que está com alguém, mas que na verdade não...
- Mas o que ele fazia que não é um relacionamento? Saia sozinho?
- Não, isso eu também faço!
- Então qual é o ponto?
- Ah não sei te explicar...
- Haha
- É uma coisa de sentir...
- Sei, tipo energia?
- Não, não é bem isso... Mas acima de qualquer coisa, somos amigos...
- Mas relacionamento é isso, é ficar, é ser amiga, é trocar confidências, conversar abertamente.
- Mas, o ponto não é só esse... não nesse caso, pelo menos. E hoje foi o dia de eu dizer, e doeu... por isso to triste.
- Vida-dois é complicada...
- É, principalmente quando está indefinida...
- Mas o que define que ele não te assume? É um comportamento? Um gesto?
- Acho que é mais comportamento, não sei bem... Ele me dá insegurança.
- Ouve... oh: insegurança, apenas, não é motivo pra achar que não gosta, precisa ter outras coisas que valham mais a pena!
- Ah meu, pára de quebrar minhas pernas!
- Eu to querendo ajudar, abrir a cabeça um pouco...
- Mas não é só isso, rola um lance do passado... mas não dá pra explicar...
- Todo mundo tem passado, às vezes reflete no hoje... Mas isso não reflete no que sinto pela minha namorada, no meu caso, por exemplo... Eu gosto e pronto, é com ela que eu quero.
- Bonito isso.
- Mas se ele não fala, demonstra de outras maneiras...? Sabe, às vezes é difícil falar de um modo que outro entenda... Há outra expressão que conforte sem ser a fala?
- Ai, acho que no meu caso não é esse o ponto. Na minha situação, eu queria me sentir segura...
- Entendo, aí é foda...
- Minha namorada tem umas inseguranças... às vezes ela não fala... esse lance de comunicação é fogo... Mas temos um carinho e um coração grande, nos entendemos ai!
- Poxa, legal isso.
- Mas tem que ter diálogo, palavras e toque.
- Então, mas se o cara desconversa é porque não quer...
- Às vezes desconverso por preguiça...
- Tudo bem, vez ou outra, enche o saco mesmo essas conversas...
- Mas oh, você precisa saber o seu limite...
- Então... gostar de alguém não pode te dar gastrite, ou pode? Haha
- Olha, eu não sei o que tá pegando... Intrigas rolam num relacionamento, mas você não pode fazer as malas assim... entende?
- Eu não to indo embora... Como posso ir embora de um lugar que não me “pertence”?!
- Hum... ...
- Lembrei de uma coisa, outro dia estava no ônibus, e entrou um tiozinho cubano. Ele chegou dizendo: Sou artista de Cuba e vim aqui tocar umas músicas pra vocês... (tudo isso com sotaque). Aí teve uma galera que olhou meio torto... O tiozinho tinha uns cabelos todos desajeitados, uns enrolados, outros lisos... Mas, sabe qual foi a melhor parte?
- Qual?
- O ônibus estava lotado e lotando cada vez mais... Ele me solta assim, com sotaque: “EU NÃO ESPERAVA UMA PLATÉIA TÃO GRANDE!” Eu aplaudi... eu e mais outros cinco aplaudiram... o resto nem ouvindo ele... Eu desci do ônibus satisfeita com o comentário do tiozinho... Acredita?
- Mas, vem cá? Por que caiu nesse assunto?
- Não sei... quis mudar um pouco a pauta, pra não pensar...
- Aí, pelo menos é uma atitude.

Quarta-feira, 16 de Maio de 2007

Fragilidade

Fui brincar de desenhar com aquarela... e aí joguei os desenhos no computador... ficou assim:

Ela

E..





Dois..


"Amar: Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro."


Mario Quintana

Desenhos meus - D. Harada.

Terça-feira, 1 de Maio de 2007

Equilíbrio.



Fotos minhas - D. Harada - uma terça ensolarada e ao mesmo tempo fria.

Ponto de equilíbrio.
É uma calma que vem quando se olha alguém dormir suave ao lado. Depois da respiração ofegante.
Lembrar da infância, passeando no bairro junto com os pais. Comprar jornal na banca. Saber que é domingo, mas que ainda dá tempo de andar de bicicleta no parque com o irmão.
É sentar no asfalto num sábado à tarde com alguém que gosta. Rir à toa de coisas tolas.
Deixar o tempo passar sem se importar.
Equilíbrio é o conforto.


O vento sopra na nuca. O rosto ficou vermelho de leve. O cantinho da boca virou de leve para encontrar o teu, que disse um tchau tímido. E assim foi, saltou no ônibus balançando o cachecol. A intimidade leva embora as simples coisas. Esses pequenos prazeres. Se não fosse a intimidade, eles continuariam existindo. O antes. Também vão embora as pequenas surpresas. A nudez desmascara a conversa. Mas a nudez é boa. Intelectualismo demais enche o saco. O bom mesmo é sentir as costas trincarem no chão e os pés apertarem forte. Junto a isso o seco da garganta depois da cumplicidade. O que cala a voz são os filmes pela metade, a espera que demora demais, e a consciência que aperta sozinha.

Domingo, 29 de Abril de 2007

Metáfora de um romance.


Desenho meu - D. Harada - feito com bic.

Estou buscando entender. Somente entender. Não sei, perdi alguma coisa que encaixava por completo. Era uma espécie de peça ou parafuso... isso, um parafuso... que começou rodando devagar, dando voltinhas completas, até que um dia já não precisava mais girar, porque tinha encaixado direitinho. Havia chegado no fundo da superfície – onde o fundo é tão fundo – que não tem mais pra onde ir. Como a parafusadeira, quando pára de funcionar porque o parafuso já está preso e fica só aquela pontinha dele pra fora. Perdi um parafuso que ficava preso em mim. O pior é que o PARAFUSO prendia um BRAÇO. O braço me apoiava na parede e me confortava o rosto quando eu dormia de bruços.

Ontem quando acordei, não achei o parafuso, tão pouco o braço e tudo mais. Confesso que fiquei desorganizada. Numa espécie de covardia, cheguei a acreditar que sem aquele conjunto (braçoParafuso), eu não poderia mais fazer uma porção de coisas, comer, apoiar-me, rir, entre outras coisas.

A HISTÓRIA começou assim... não lembro direito como aconteceu, tudo meio fragmentado. Um dia, o braçoParafuso chegou me envolvendo, tomou-me pela mão, e quando vi, já estava “parafusado” em mim. Achei que tudo tinha sido meio depressa, e que aquilo depois, poderia me machucar. Mas fui indo, gostando da tentativa. Acreditando no conforto e nas gentilezas que ele me propiciava.

Só que agora... cadê? O braçoParafuso sumiu... Confesso que senti injúria das gentilezas, e que se eu voltasse no tempo não permitiria que invadisse meu corpo daquele jeito.

Ainda assim, há pouco perdi horas tentando me localizar sem o braço. Como será agora sem ele? Olho pra caixa de som, ecoa um Beatles... Analiso a quantidade de parafusos colados na superfície da caixa. Balançam acompanhando a música e prendem outras pecinhas...

Continuo me perdendo olhando para caixa de som.
Por quanto tempo será que estou me perdendo?
...Perder-se às vezes é bom. E talvez o melhor fosse continuar perdida. Assim como o braço, perdido. Mas... acabei de me lembrar, tenho pernas, pés... e eles também marcam o compasso da música. E as pernas AGORA, convidam-me a passear.

Trilha: If I Fell | Beatles.
Desenho: Feito lá no campo.

Terça-feira, 27 de Março de 2007

Lá pela janela.


Sentiu os estilhaços quebrando no próprio rosto. E os cacos ruindo brutamente ao pé do ouvido. Era sonho. Não, pesadelo! Era realidade!
A realidade era que dormiu no carro, e acordou sobressaltado. Mas quando abriu os olhos, fechou-os bruscamente por causa da luz. Luz do poste de rua que entrava pelo vidro do carro. Não, não tinha batido o carro, nem dormido no acostamento.
Tinha apenas tirado um cochilo pós-viagem e tivera um “meio-pesadelo”. “Meio-pesadelo” é aquele início de sono, quando a perna chuta o vazio ou parece que se cai num abismo ou qualquer coisa descontrolada... aí, de repente se acorda trepidante.
Sem mais, olhou pro céu escuro. Viu restos de nuvens.
Dentro do carro ele não podia ficar, fazia um “bafo quente” que só. Ainda assim, persistiu lá dentro em silêncio por alguns minutos. Como se aquelas portas e janelas fossem a proteção, o lugar mais seguro e calmo dos seus dias.
Sempre teve entusiasmo pela noite, pelas avenidas e ruelas também. Até por bêbados palpiteiros. Sim, porque bêbado quando palpita é porque está vendo além do que se vê. Lembrou da noite em que abraçara ela ali na escada. E o bêbado comentou sobre o abraço sincero. É, lembrou. E deixou.
E foi olhando pro monte de luzes da avenida que se lembrou de mais um tanto de coisas. E onde estaria ela agora? Entre outras indagações que vinham uma atrás da outra. Mas para as quais não havia resposta. E até imaginava o porquê. É porque toda compreensão vem seguida de incompreensões. Vem seguida de “meios-pensamentos” ou talvez, “meio-pesadelos”. Onde estaria ela agora? Seus olhos e suas mãos? Onde?
E seu par de tênis? Estaria o velho tênis subindo que ruas? E ao lado de quem? Teve ciúmes até do tênis. Porque parecia que aquilo tudo era tão seu quanto dela. Sentiu desgosto de tudo. De todos, das responsabilidades, das brigas e dos desencontros.
Queria descobrir onde ela estava, e até torceu pelo acaso. Sentiu vontade de sair andando, descobrir caminhos e passar por onde já haviam estado. (...) Mais uma seqüência de pensamentos.(...) E nada, ou quase nada. Na verdade, um tudo. Ou QUASE tudo do que tiveram juntos. Ali, lado a lado, quase que se devorando.
Nem que fosse um esbarrão, queria ver os olhos dela. Mas ele deixou os olhos irem. E agora, só havia o brilho da noite.

Foto: Minha. À noite. Pela lente dele.

Domingo, 25 de Março de 2007

o dia que saiu pela tangente.


Esse desenho é antigo. Achei ele aqui no computador e resolvi postar.
Estou sem tempo de desenhar... então fica esse por enquanto.


E um trecho de Clarice Lispector:
"Não. Sei que ainda não estou sentindo livremente, que de novo penso porque tenho por objetivo achar - e que por segurança chamarei de achar o momento em que encontrar um meio de saída. Por que não tenho coragem de apenas achar um meio de entrada? Oh, sei que entrei, sim. Mas assustei-me porque não sei para onde dá essa entrada. E nunca antes eu me havia deixado levar, a menos que soubesse para o quê."

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Espécie de desencontro. Ou não. E de repente, o negócio é mesmo ir entrando para ver onde é que dá.

Quinta-feira, 15 de Março de 2007

na escada.



Desenho meu - D. Harada - que virou lambe - que está colado nas ruas.

O vigia olhou e disse:
- Sai da escada, moça!
Daí:
- Não estou fazendo nada... só to aqui sentada.
Mas:
- Aqui não é lugar de choro, "bora", "bora"... quer pensar na vida, pensa em casa.
E:
- Ih tem lugar certo de pensar na vida?

Levantou, deu um aceno pro vigia. Nem resmungar, resmungou. Saiu languida. Caminhou três quarteirões, trombou num bêbado. Comprou uma Coca. Sentou ali mesmo na calçada. Na rampa da rua, que era inclinada, cheia de degraus. Olhou seus próprios pés. Teve vontade de chorar.

Pra casa ela não ia tão já. Tinha que cansar as pernas, a cabeça. Chegar num cansaço louco em casa, para que só lhe restasse a cama. Mirou a lua, veio um cheiro de plantas... suave. Um vento no rosto, e ouviu um: "Opa".

Olhou, era só um menino miúdo de uns doze anos pedindo um troco.

O menino saiu tropicando com o dinheiro amassado nos dedos. Comprou uma Coca também e sentou por ali perto. Ela ficou olhando o moleque balançando os pés, que traziam umas havaianas carcomidas na ponta. O menino coçava a barriga, franzia a testa e gesticulava. Parecia feliz e espreguiçava os braços com desdém de quem está ali à toa.

O menino se aproximou, deu uma palmadinha nas costas dela. E disse:
- Olha!! (...) É pra você!

Mostrou uma pequena flor branca, que tinha pego ali mesmo, na mureta em que há pouco estava sentado. Flor bonita, miúda.

- Obrigada. É linda.

O menino foi embora devagar... e sumiu na rua escura. Ela olhou pro presente que havia recebido, era espontâneo e sincero.

Ela ainda ficou lá... por pelo menos, uns quarenta minutos na ladeira, esperando sabe-se lá o quê. Mas, nada veio. Só a flor... que se foi, e voou pra longe enquanto ajeitava os cabelos. Decidiu que o melhor era ir embora, já que o vento soprava na direção da sua casa.

Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

pé ante pé.



Imagem 1: Desenho meu de criança..
Imagem 2: Foto de divulgação, Eu, você e todos nós..

Esse post é bem diferente dos que costumo fazer.
Começa que ele tem: foto dos meus pés e foto de filme. Ei, isso aqui é um blog de ilustração! Mas, só por hoje...
O que acontece é que, observar pés sempre foi coisa legal de se fazer. Não por apreciação de beleza, que isso fique claro. Eu gosto de ver o jeito que os pés vão e voltam, o jeito que caminham lado a lado. Não importa se os pés são bonitos. O que importa é o jeito que se portam. Gosto do modo como atravessam as ruas - com pressa. Como descem as escadas - pulando. Como cruzam as linhas do chão. Os zigue-zagues espontâneos. Não é à toa que esse blog se chama pés virados.
Mas o ponto não é esse. Enquanto eu assistia “Eu, você e todos nós” (Me and You and Everyone We Know), fiquei fascinada com a interpretação da fantástica Christine Jesperson (Miranda July) filmando os próprios pés, que traziam os dizeres: “You” e “Me” em cada pé. Por conta disso, resolvi fazer uma releitura.
Essa cena remete a infância. Amor juvenil. Aquela coisa de estar lado a lado. Pé ante pé. Nas poças d’água. Andando. Equilibrando-se. Os pés funcionam como uma espécie de metáfora sentimental. Juntos.
Ok faltou o desenho dos pés. Eu fiz. Ficou com cara de desenho de criança. Era intencional. Depois coloco aqui. Assim como a foto "caseirona".

Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

vida, luz e som.


Desenho meu - D. Harada - de paisagem.

"A luz do dia até os sons brilham. Eu queria como os sons viver através das coisas e não pertencer a elas."
Fernando Pessoa

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- Talvez ele tenha pirepaques. Vire piruetas e queira saltar. Talvez fique calado e contido. Mudo, em estado de choque. Há horas que começa a angustiar de leve. Correndo de um lado pro outro. Acelerando, apertando o passo.

- Ele vive assim desesperadamente?

- Meu coração é inquieto ué. Tem pressa de viver. E aí, já viu... sofre.

Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

desabafo do tempo


Lambe-lambe meu - D. Harada que está pelas ruas.

Queria esquecer o tempo para não escapar nem um pouco daquela sensação.
Guardar cada canto percorrido de corpo e de rua. E sair para gravar sons...
Deixar marcas nas mãos. E ter você ali.

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"Dê meia-volta e confie de novo nos seus olhos,
Eles não estão nas suas costas.
E confie nesta velha manivela.
Ela ainda pode rodar filmes."
Filme de Wim Wenders.

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Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007

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Desenho meu - D. Harada.

“Inebriante, inteligente e espontâneo, Fulano Blábláblá é um jovem cineasta que já conquistou prêmios na Europa. Seu atual curta-metragem deve estrear em março. O jovem de apenas 27 anos é um talento. Filho do jornalista Lalala das Tantas, Blábláblá preferiu seguir o rumo das filmagens.”
Poderíamos trocar o “jovem cineasta” por artista-plástico, fotógrafo, publicitário e por aí vai. É mais ou menos assim nas revistas. Que intelectos, finos e prodigiosos, não é?
Algumas matérias são interessantes, discorrem sobre música, filmes e mais. Bom, folheando as páginas logo surgem matérias de mulheres independentes e perturbadoras. Estão sempre à frente, descoladas e “mudérnas”, prestigiando o “makeyourself”. E aí, mais uma seção das top músicas do momento, que variam entre indie-triphop-eletroalgumacoisa-instrumental (até aí tem alguma coisa legal). Ah e é claro, a seção roupas: vestidos, sapatilhas e arrebites com cara de envelhecidos, mas que custam seu salário inteiro e mais um pouco (pelo menos no meu caso). Bom, depois que se lê tudo isso e conhece a vida dos fulanos, o que se tira disso? Dessas pessoas jovens com “tamanha” capacidade... algumas são bem curiosas, outras bem “posadas” (talvez a maioria). A impressão que eu tenho é de um vazio muito grande. As coisas se tornam artifício, é falso. Pose.pose.pose.pose. Tudo se torna tão igual.
E o mais incrível, são os relacionamentos... parzinhos iguais, tudo igual. Parece uma série de carimbinhos. Seqüência robótica de gente. É isso, esse vazio de robozinhos solitários posando para mim, para nós...
...
.
Por atrás dessa coisa toda, cheia de gente valente... A minha única certeza nesse mundo de ilusões, é que: por mais independente que se aparente ser, no fundo mesmo, quero alguém segurando a minha mão.

Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

amanhã.


Desenho meu - D. Harada - para abstrato.

Ela deitou. Afundou a cabeça no travesseiro meio macetado. No cantinho do olho brilhava algo que depois vinha salgar a boca.
É que depois de “uma” boa dose, o que resta é o gosto amargo na boca. De bebida. E depois da embriaguez vem alguma coisa na memória, uma espécie de perturbação, que começa a dialogar com você. Daí parece que até as fotos da parede te interrogam... E as sandálias arremessadas ali no canto da porta ficam mirando tudo que acontece no quarto escuro. Meia-luz.

Bom, aí sim, vem o gostinho salgado na boca... de lágrima. Que apaga o de bebida.
Coisa de bêbado né? É que pessoa alcoolizada fica assim. Chora à toa.
Mas ainda são cinco da manhã. E às sete, ela levanta pra labuta. Senta na cama - deita de novo - vira de lado.

Mas daqui a pouco amanhece, é sol. O dia começa de novo.
E por enquanto só lhe resta um travesseiro.

Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007

mais uma do coletivo.


Desenho meu - D. Harada - do ônibus

Eu andava a pé.

Comprei a caneta da sorte.

A sorte pode ser tantas coisas.

Passou um casal dando risada. Olhei os dois e pensei: Vai ver a sorte é mais ou menos assim, está do seu lado e quando você menos espera, te faz sorrir.

Terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

01:00.


Desenho meu - D. Harada - para 01:00 am.

01:00 da manhã. Um amigo sempre diz que essa é a hora de "marejar" os olhos. Diria também que, nesse horário a noite se faz calma.
Mas, foi nessa mesma hora que os dedos tremeram num ritmo nervoso e a barriga num vai-não-vai, angustiando um não sei o quê e embrulhando devagar, só para apressar mais a demora do acontecer.
E aí as horas passam.
Depois vem o silêncio momentâneo. Lá fora, a noite esconde um "tudo", que a gente nunca sabe. Mas morre de vontade de saber. São coisas que a gente pensa quando está deitada, porque o sono não vem. Vem tudo, arrepio, saudades. Calmaria de repente assola. Por que a calma dura tão pouco? A perturbação é boa, mas cansa.
Mistura de coisa ruim e coisa boa. Vontade de estremecer e sumir no silêncio. ()
E de repente vem cansaço... de esperar. O sono.

Sábado, 30 de Dezembro de 2006

Chuva cor-de-rosa.


Desenho meu - D. Harada - para chuva cor-de-rosa.

Murmurinhos. Vai-e-vem de conversas. Ônibus né, eu lá ouvindo tudo.
O pai para o filho: Deveria ter pego o celular da vovó.
O menino: Por que?
E o pai: Porque sempre é bom né.
O menino franziu a testa e certamente não entendeu o "Porque sempre é bom né". Não parava um só instante, saracoteava as perninhas no banco atrás do meu, enchendo o pai de perguntas. E me olhava com olhos arregalados como se eu fosse louca. Desceu do ônibus ainda olhando para meus cabelos com ar de desentendido. Cheguei a achar que meu cabelo parecia uma peruca. Lá na frente do busão desembarcava uma senhora de sapato laranja, ostentando uma espécie de mini abacaxi no bico do sapato. Fiquei olhando para os pés da senhora tentando entender que ornamento era aquele. Mais um tempo, o ônibus demora para cruzar o farol, e três coisas distraem minha atenção: um japonês de fone gigante, uma mulher de vestido de bolinha atravessando a rua e um cão fila espreitando pela grade de uma casa. Aquela sequência de gente não tinha fim, mas eu no fim das contas, só queria pensar na vida. Só que estava difícil com aquele mundo de conversas brotando.
Começou a chover. Acho que a chuva era cor-de-rosa, porque o céu estava dum laranja claro misturado com vermelho e lá longe ainda fazia sol. Chuva cor-de-rosa é coisa da infância. A única coisa que fiz foi olhar pela janela. Nem sei bem esperando o quê. Mas acho que é porque no fundo a gente sempre espera alguma coisa sem nem saber o que é.

Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

pés virados.


Desenho Meu - D. Harada.

Ria enquanto andava com os pés virados. Sentindo um ventinho no rosto.
Vento macio da noite.